A VISÃO DE CRISTO

August 10, 2009

         Vinte anos atrás o filme “A Última Tentação de Cristo” dirigido pelo famoso Martin Scorcese apareceu nos cinemas do Brasil. Eu me lembro que esse filme causou muito constrangimento e revolta nos cristãos por mostrar Jesus deixando a cruz para ter relações sexuais com Maria Madalena e viver com ela. Ira santa, é verdade, afinal o filme negava publicamente pontos cruciais da fé cristã. Por fim, nos jornais da época os críticos teriam dito que tecnicamente esse filme não foi grande coisa e que não teria sido o sucesso que foi se os cristãos não tivessem feito tanta propaganda dele.

        Isso leva à seguinte pergunta: como os cristãos vêem Cristo? De um modo geral, alguns o vêem como alguém que precisa ser protegido e resguardado, como se o Senhor estivesse atrás de seus atentos soldados e estes, prontos para disparar tão logo apareça uma ameaça. Talves seja esse o entendimento deles de “soldados de Cristo”. Outros têm uma visão diferente: vêem a Cristo mais como Mestre e Senhor do que como alguém que carece de proteção. Para eles Cristo é o general e eles o seguem. É o General quem os protege dos riscos e dos perigos. Ele mesmo ensinou seus discípulos a orar “não nos deixe cair em tentação, mas livra-nos do mal”.

        Sendo assim, a visão que apresentamos do nosso Senhor e de nós mesmos é essencial para a ação da Igreja nos dias atuais. Uma visão errada de Cristo pode levar a igreja a cometer equivocos como injustiça e até crueldade, veja por exemplo as inquisições e as cruzadas presentes na história do cristianismo. Cristãos entrincheirados e armados até os dentes representam uma visão míope e equivocada da missão de proclamar a verdade em todo mundo.

        Quando cristãos têm a visão correta de Jesus, eles pregam a Bíblia, usam de seu tempo para estarem com pobres e marginais da sociedade, curam os doentes, alimentam as multidões, procuram tirar pessoas da ignorância e abençoam seus filhos, assim como o Mestre fez, amando pecadores, ensinando, tocando os impuros e conversando com prostitutas. Jesus não tinha medo de assumir riscos, antes, convivia com eles.

        Para onde muitos cristãos estão olhando hoje? Alguns para dentro de si mesmos, guerreando uns contra os outros; olhando para fora, mas para atacar, condenar e criticar… A igreja precisa sair, andar, e deixar de lado o medo… medo do arminiano, medo do pentecostal, medo do romano, medo do social, medo do liberal, medo do impuro, do pobre, do doente e da prostituta. A Igreja que sai do seu pedestal, deixa de perder seu tempo precioso em discussões teológicas sem fim, brigas internas e ativismo politico dentro e sua própria estrutura e segue o exemplo do Senhor, essa sim, é a igreja que tem os olhos fixos no NELE.

LEITURA Comecei a ler o livro, Finally Alive, de John Piper, recentemente lançado pela editora Christian Focus. Contém 203 páginas, com 5 capítulos, e indexes de referências bíblicas, assuntos e nomes. É um livro que aborda o tema “Novo Nascimento” e o real significado deste termo para hoje, uma vez que tanto aqui na Europa, principalmente no Reino Unido, como na América do Norte “novo nascimento” acabou tornando-se um cliché, ou seja, um termo sem sentido ou um termo intramurus, que só os evangélicos conseguem identificar. É um livro muito bem recomendado por figurões como D.A.Carson, o escocês Iain Murray e J.I.Packer, entre outros norte-americanos, britânicos e canadenses. O ponto em questão é: o que é realmente uma pessoa renascida? O que de fato a regeneração faz com a pessoa? Será que todos os que se apresentam como cristãos são de fato renascidos? Apresento frutos de alguém que nasceu de novo? Como pastor e vivendo numa sociedade totalmente secularizada e pós moderna, espero encontrar nesse livro uma ajuda para abordar o assunto e falar à minha congregação.

OPORTUNIDADE I Nesta semana houve um culto especial quarta-feira com as crianças de 5 anos da Heriot Primary School, escola em que atuo como capelão. Cerca de 50 crianças apareceram na igreja com seus pais e professores para ouvirem sobre o batismo. Foi um desafio grande falar com eles, mas nossa oração é que a semente plantada germine para a glória de Deus. Essa foi uma oportunidade de fato de Deus, pois com a educação extremamente secularizada na Grã-Bretanha onde tolera-se todas as religiões e seitas, menos o cristianismo, por mais irônico que isso possa parecer, essa escola tem trazido as crianças na igreja para aprenderem a importância da mesma e do sacramento do batismo. Oro para que essa geração mude a história e o futuro pessimista deste país.

OPORTUNIDADE II Hoje foi o culto dirigido pelos jovens da Igreja. Foi um plano meu, apresentado ao Conselho e aprovado. Não foi fácil recrutar aqueles jovens. Diferente da minha experiência no Brasil, não precisava pedir 2 vezes para que os jovens me ajudassem no culto. Aqui eu não sei o que acontece… ou sei… enfim, tudo funcionou. Em vez de órgão tivemos teclado e guitarra. O Coral ficou com 5 jovens a mais; os jovens leram os textos bíblicos e o Samuel fez o Children’s Talk, que é uma mensagem específica para as crianças (e claro os adultos aproveitam) dentro do culto. Samuel chamou as crianças e sentou com elas no fundo da igreja no corredor e falou sobre a passagem bíblica em que Jesus lavou os pés dos discípulos, dizendo que não existem pessoas “importantes” na igreja e não existem lugares mais nobres no reino de Deus, pelo contrário, Jesus lavando os pés dos discípulos mostrou que o maior serve e que dos pequenos é o Reino de Deus e que para chegarmos lá Deus torna qualquer grandão crianças de novo. Além disso hoje foi dia das mães. Oramos pelas mães, as crianças distribuíram flores e um arranjo especial de flor para a mãe mais nova (Audrey, 35 anos e Nancy, 94 anos). A mensagem do culto faz parte de uma série que tenho pregado na carta aos Efésios. Hoje foi o capítulo 2, o tema foi “Salvos pela Graça” em que abordei a questão de vida espiritual, morte espiritual e salvação pela graça somente. Por favor, ore por tudo isso. A resposta da igreja pareceu muito positiva com o “novo” culto realizado.

NOVOS CONTATOS Abri uma nova página no orkut chamada “Ore pela Escócia”. Se você quiser ser meu contato, acesse: http://www.orkut.com/Main#Profile.aspx?uid=14045575223138135226′

Aproveitando a onda, abri uma comunidade no orkut chamada “Cristianismo na Escócia”:
http://www.orkut.com/Main#Community.aspx?cmm=56141188

GRANDE ABRAÇO!

Motivos de Oração

March 8, 2009

·        Pelas famílias do bairro em que se encontra a igreja (Foxbar). Por muitas pessoas que vivem em solidão, idosos e famílias problemáticas.

·        Pelas escolas do bairro, Glennifer High School (secundária) e  Hariot School (primária) e pelo trabalho de capelania que estamos desenvolvendo nelas; pelas oportunidades de falar da Palavra com estudantes, pai e responsáveis, professores e funcionários.

·        Pela instituição que cuida dos idosos (Montrose Nursing Home) e a oportunidade que temos tido de conduzir um culto mensal lá. Ore pelos idosos que lá estão e pelos funcionários.

·        Pelas sociedades internas da igreja: Senhoras, garotos, garotas, menores, etc… Por um envolvimento maior dos jovens na Igreja.

·        Pelos locais públicos do bairro: biblioteca, St.John Primary School (escola católica), comércio e polícia.

·        Por cristãos comprometidos na Escócia.

·        Pelo Presbitério, e pela igreja da Escócia.

·        Pela Igrejas Glenburn e Lylesland  e pelos trabalhos de intercâmbio entre essas igrejas e a nossa.

·        Pela Igreja St Columba: membros e liderança. Pelas crianças da igreja e pela Escola Dominical.

Notícias do Campo

February 2, 2009

O trabalho na Igreja St. Columba está caminhando bem até aqui, graças a Deus. Nossa preocupação era a de não se adaptar numa nova cidade, cuja cultura, sotaque e tradição é bem diferente de Dundee, onde moramos por 15 meses. Ainda mais agora que perdemos o vínculo oficial no Brasil. Mas acredito que com o passar do tempo vamos nos sentindo cada vez mais em casa. Confio também que o Senhor que nos trouxe para este lugar jamais nos desamparará.

A cidade de Paisley onde moramos e trabalhamos é uma pequena cidade com um histórico de violência muito grande. Hoje não é mais assim, mas a fama sempre fica. É uma cidade que tem muito comércio, muitas escolas, colleges e uma universidade, mas luta contra a decadência principalmente diante da crise atual. É uma cidade em que predomina idosos, aposentados, muita pobreza e por isso a qualidade dos meios de transportes, trânsito e manutenção de prédios e ruas não são muito boas. Não estivesse a cidade de Glasgow, a maior da Escócia, encostada em Paisley, acredito que a situação estaria pior.

No bairro em que se encontra a igreja há muitos aposentados, idosos que moram sozinhos em casa do governo, uma escola secundária e duas primárias. Apesar de pobre, é um bairro bem cuidado e limpo. Tenho tido muito contato e oportunidade de encontrar pessoas que não pertencem à igreja. Tanto nas escolas, como no azilo e quando há um funeral buscam o ministro da Igreja Presbiteriana. A única protestante do bairro. Por isso, as oportunidades de pregar a Palavra aqui são muitas. E estamos aqui exatamente para isso, pregar a Palavra de Deus. Não houve outra motivação que nos fizesse sair do nosso país, deixar família, empregos, cultura, casa, a não ser a de servir ao Senhor como pastor dessas milhares de pessoas que nos foram confiadas. Peço que ore por nós e por essas pessoas.

O Samuel foi aceito na Universidade e vai fazer Teologia com especialização em missões transculturais no ICC (International Christian College) que fica em Glasgow e tem convênio com a Universidade de Aberdeen. Graças a Deus esta porta foi aberta, num lugar em que predomina o liberalismo teológico, o Samuel encontrou um curso de alto nível acadêmico e realmente cristão. Creio que outro curso reconhecidamente cristão é o Highland Theological que tem convênio com o Reformed dos Estados Unidos. Além disso trabalha como voluntário em instituições cristãs que ajudam pessoas carentes, moradores de rua e crianças de lares problemáticos em Glasgow. Trabalha também um dia por semana com uma intituição cristã em uma escola secundária também em Glasgow.

Alguns projetos foram aprovados na Session (conselho) da Igreja: (1) Criação de uma reunião de oração uma vez por mês; (2) Cultos em conjunto com a igreja em Glenburn e Lylesland, de bairros vizinhos cujos pastores pregam a Bíblia; (3) Culto espeical no dia das mães em Março, dirigido pelos jovens; (4) Semana de oração, na semana que antecede a páscoa em Abril. Atividades tão comuns nas igrejas brasileiras, mas aqui sempre raras. Por isso nossa alegria em compartilhá-las.

Ore para que esses trabalhos sejam uma bênção na vida das pessoas e assim possamos trazer novas idéias no futuro.

No mais estamos bem, e ainda nos adaptando.

Abraços…

18 MESES DE MISSÃO

November 30, 2008

        Na última sexta-feira completamos 1 ano e meio que deixamos nosso país para iniciar um trabalho missionário e pastoral aqui na Escócia. Foram 18 meses de lutas e desafios, mas graças a Deus nenhuma decepção – não neste país. Hoje estamos muito mais adaptados e melhor ajustados. Contrário do que muitos imaginam, passamos por desafios e barreiras muito grandes; o custo dessa mudança em nossas vidas foi muito alto, mas vencemos e temos vencido com uma força que só mesmo o Senhor Deus poderia nos dar. Houve situações que pensamos que não conseguríamos enfrentar, mas entendemos que quando o chamado vem de Deus o fraco ganha forças e é capaz de destruir o pior inimigo se assim for o plano de Deus. Por isso continuo acreditando que o Senhor não nos chamou apenas para ficarmos aqueles 15 meses iniciais; não, ele tinha algo preparado, uma obra a ser realizada por um longo tempo. A missão continua: pregar a Palavra de Deus, evangelizar, pastorear, enfim, a mesma tarefa desde o primeiro dia, 29 de maio de 2007, até hoje e até quando o Senhor permitir. Nada mudou, a não ser detalhes legais, que a meu ver não deveriam afetar a importância histórica e missionária do trabalho. Lamentavelmente, para alguns tais detalhes foram mais importantes. Contudo, apesar de vermos que as cordas foram soltas, estamos guardados pelo Senhor e a missão continua para a glória dele.

        Nesses 18 meses fizemos muitos amigos. Conhecemos pessoas verdadeiramente comprometidas com o Evangelho e com a Igreja de Cristo. Mesmo tendo saído de Dundee há 3 meses, estamos recebendo visitas de muitos irmãos da Steeple Church para o culto em nossa igreja e posteriormente almoço aqui em casa.

        Estamos muito animados na Igreja em que estamos servindo nesses 3 meses. Felizes principalmente com as oportunidades que temos tido para pregar o evangelho tanto na Igreja como na comunidade. Tenho participado das reuniões mensais do presbitério daqui, conhecido muitos colegas, principalmente dois pastores, Graham e Alistair. Temos visões muito parecidas, como por exemplo, a necessidade de Cristo para a remissão de pecados e conversão; a salvação pela graça somente e a autoridade da Bíblia como regra infalível de fé e prática. Nossas igrejas são próximas e nos encontramos uma vez por mês para oração e suporte mútuo.

        Lia está bem, estudando inglês e muito feliz por que a mãe dela está passando um tempo aqui conosco. Samuel está bem e envolvido com trabalhos voluntários em algumas igrejas em Glasgow e se preparando para o ano que vem ingressar no ICC (International Christian College), um curso de Teologia reconhecido como Universidade e também com uma direção cristã comprometida com a Palavra de Deus.

        A todos que têm orado por nós e têm nos apoiado desde o início, nossa gratidão. Queremos que vocês saibam que o Senhor Deus tem respondido às suas orações e tem sido fiel às suas promessas e somente nelas é que estamos amparados.

Conhecer Graham Nash representa uma boa notícia, uma bênção de Deus aqui. Digo isso não somente porque nossas igrejas estão bem próximas, mas principalmente por causa da sua visão reformada e centralizada em Cristo e em sua Palavra que ele tem. Este jovem pastor não se mostra muito preocupado com as estatísticas pessimistas sobre o declínio numérico dos membros das Igrejas aqui na Escócia. Ele faz questão de lembrar que o Senhor sempre tem seus eleitos em todos os lugares. Dessa forma, a presença de um servo de Deus com esta visão muito nos anima. Nossos planos são de estreitar laços entre as duas igrejas e mantermos intercâmbios; trabalharmos juntos nas escolas e instituições seculares que temos tido acesso.

Continuando a analisar a proposta que Nash faz ao seu conselho, visando o futuro da igreja, diz o pastor que a igreja centralizada na Bíblia é igreja que ora. De acordo com Efésios 6.17-18, Nash declara que Deus dá à sua igreja duas armas, a Palavra e a oração. Assim como a árvore que é plantada junto aos ribeiros de águas do Salmo 1, diz ele, “a chave do crescimento está no local de onde tiramos a nutrição”. E então ele pergunta, “onde estão nossas raízes?” A resposta vem novamente do Salmo 1: assim como o homem justo busca seu alimento no Senhor, meditando em sua Palavra de dia e de noite, somente cresceremos como igreja se nossas raízes tiverem sido plantadas na Palavra de Deus. Ou seja, a igreja só crescerá, num crescimento que agrada a Deus, se estiver estabelecida sobre o fundamento dos apóstolos e profetas, com o Senhor Jesus, sendo ele próprio a pedra angular (Efésios 2.20). E se o Senhor não edificar a casa, conforme o salmo 127, em vão trabalham os que a edificam. Por isso, diz Nash, nosso foco deve ser principalmente voltado ao estudo e meditação da Palavra de Deus e na vida de oração, muito mais do que fazendo coisas, atividades sem parar, como se a igreja dependesse totalmente do nosso esforço. Nossa oração não é pedir para Deus o que queremos fazer, mas sim rogar a ele sua direção e que sua vontade seja feita.

Antes de sair do Brasil um pastor me disse, “a noite chegou na Escócia, não há mais luz!” Infelizmente muitos pensam assim por desconhecer a história dos grandes feitos de Deus e por falta de visão missionária e pastoral. Para nós, a presença de Graham Nash e outros aqui na Escócia mostra claramente que Deus tem seu povo aqui e um plano de redenção neste canto do mundo. Somente a ELE, toda a glória eternamente.

Olhando para Frente

October 19, 2008

         Continuamos o trabalho pastoral e missionário aqui na Escócia com a graça de Deus. Estamos seguindo em frente, com os olhos fixos em Jesus, o autor e consumador da fé. Somente no Senhor nós esperamos.

        Tivemos a alegria de almoçar com um pastor cuja igreja e paróquia é muito próxima da minha. Até se misturam em algum ponto. O nome dele é Graham Nash, jovem pastor, fez teologia na Universidade de Glasgow e em determinado momento de sua vida foi marcado positivamente pelo evangelho da graça do nosso Senhor Jesus Cristo. Durante nossa conversa ele me apresentou um material escrito que preparou como plano para o crescimento da sua igreja, a Glenburn Parish Church. O tema do plano é, “Uma visão para o futuro”. Quero falar um pouco sobre o que eu li, principalmente na parte inicial, para mostrar a mente e coração de um pastor escocês que mantém-se fiel a Deus e sua Palavra, apesar de ter recebido tantas outras influências. Engana-se quem pensa que tudo está perdido na Escócia!

Nash começa dizendo que não existe nada de errado em desejar o crescimento numérico da igreja,  o problema é que esse desejo pode transformar-se numa tentação. Grande parte do que se fala sobre “estratégias de crescimento de igreja” soa como métodos de ampliação de negócios e plano de otimização comercial no mundo secular. Nash acertadamente coloca que a igreja deve pensar em termos de “visão para o futuro”, muito mais do que concentrar-se na idéia de “crescimento numérico”.

        A primeira pergunta feita pelo pastor é, “por que queremos crescer?” Ele responde de uma forma bem objetiva e não menos interessante. O lado positivo do “querer crescer numericamente” pode ser visto, por exemplo, quando os crentes querem dividir o amor de Deus com as pessoas de fora; ou quando desejam espalhar o evangelho de Jesus e serem usadas para a conversão de outras; além disso, os cristãos querem ver sua igreja crescer para que mais pessoas adorem a Deus e ouçam a Palavra. Todos esses são motivos salutares que levam as pessoas a desejarem o crescimento da igreja. Mas há outros motivos não tão salutares assim. Concordo com Nash quando ele diz que são motivos meramente humanos, como por exemplo:

·        Observam a idade das pessoas da congregação e temem que um dia desaparecerão. Medo tão comum aqui na Escócia, mesmo vindo de cristãos sinceros;

·        A manutenção do prédio onde funciona a igreja é grande, assim, mais pessoas, mais dinheiro.

·        As pessoas (e alguns ministros) gostam de ser vistos como igreja que cresce em número.

Nash acerta ao dizer que crescimento da Igreja, conforme se lê em Efésios 4, diz respeito mais à maturidade espiritual do que a números. O desejo de Deus, declara ele acertadamente, é que seu povo cresça em fé, no conhecimento do Senhor Jesus Cristo e no amor entre o povo de Deus, tornando-se mais parecido com ele na vida diária. Não existe nada errado no crescimento numérico, mas nossa prioridade, completa ele, deve ser voltada para o crescimento espiritual.

De fato, o propósito é glorificar a Deus, Efésios 1.12. A igreja que busca o crescimento para si própria, ainda que cresça realmente, pode não contar com a presença abençoadora de Deus e por isso falha. Mas a igreja comprometida em glorificar a Deus em tudo o que faz crescerá porque nela Deus vai trabalhar para cumprir seus abençoados propósitos.

Para isso, diz Nash, a igreja precisa ser centralizada na Palavra. E este será o tema do próximo post.

Pior Idade

October 6, 2008

Algumas pessoas no Brasil se referem aos idosos como a melhor idade, uma referência carinhosa ao pessoal da terceira idade. A questão da juventude não é o único problema aqui na Escócia. Os idosos estão longe da melhor idade aqui. Apesar de a maioria viver com um certo conforto e razoável assistência médica, o mal é dentro, nos sentimentos, na solidão.

        Fui a um funeral de uma senhora de mais de 80 anos na semana passada. Presentes no templo do Crematorium apenas 6 pessoas. Era uma senhora solteira e que viveu seus últimos anos num azilo. O problema é que essa não é uma história isolada.  A população idosa no Reino Unido é enorme. O que acontece é que depois que os filhos saem de casa o tempo vai passando mais rápido; os pais ficam sozinhos, a aposentadoria chega e os efeitos da idade também. Perdem os amigos de uma vida inteira, porque não conseguem mais se cuidar devidamente, são encaminhados para casas do governo ou azilos. Em seguida vem a viuvês, então a solidão se estabelece.

        Muitos dos que estão nos seus 70 anos ainda têm 20 ou mais anos de vida, porque aqui vivem mais. A chamada terceira idade é capaz de levá-los à quarta idade. Isso então aumenta o período de solidão e a enfermidade os limita bastante.

        Domingo visitei 6 idosas. Algumas morando em casa própria e outros em casas do governo. Todas sozinhas. A mais idosa com 93 anos. Todas elas sem família por perto.

        Dá para ver então que não se pode pensar somente nos jovens quando se fala de Escócia. Aliás, muitos líderes rompem certos costumes e tradições para agradarem aos jovens, mas isso representa mais uma separação para os velhinhos. Ore também por eles.

Os Garotos da Brigada

September 26, 2008

Para grande parte da populacao da Europa em geral e da Escocia em particular, igreja eh simbolo de retrocesso, opressao, readicalismo e ate imperialismo. Homens e mulheres entre 17 e 50 anos de idade (a grosso modo falando) estao entre os que pensam assim. Essa eh uma das razoes porque eh dificil encontrar jovens e adultos nos cultos em quase todas as igrejas. Existe na verdade um pequeno grupo de criancas e um numero grande e crescente da terceira e quarta idade. Como trazer esse grupao de volta? Esse eh um dos temas de maior preocupacao na Igreja da Escocia e em outras denominacoes. O que vai ser da igreja nos proximos 20 anos, quando a idade avancada estiver indo dessa para melhor? (ou pior!). Nao existe hoje, humanamente falando, uma geracao para ocupar os bancos da igreja no lugar deles. O que acontece entao? As igrejas vao enfraquecendo, vao ficando pequenas e sem poder financeiro. Unem-se a outras igrejas, vendem seus predios para donos de Bingo, restaurantes, boites, e outras coisas… Alguns pastores pastoreiam 2, 3, 4 ou ate 5 igrejas ao mesmo tempo.

 

A Igreja St Columba’s aqui em Paisley nao foge desse quadro. O conselho formado por 29 presbiteros tem os dois mais jovens na idade de 60 e 63 anos, respectivamente. Eh um conselho aberto a mudancas, mas hoje a igreja so tem uma reuniao semanal que eh o culto de Domingo de manha. Nao existe reuniao de oracao, estudo biblico, escola dominical para jovens e adultos, nao existem as famosas sociedades internas, a nao ser a das Senhoras, aqui eh chamada de Women’s Guild.

 

O que existe de positivo aqui na nossa igreja e potencialmente um grande desafio e oportunidade, sao algumas organizacoes que nao sao da igreja, sao seculares, mas funciona nas salas da igreja durante os dias da semana.

 

Uma dessas organizacoes eh o Boys Brigade. Eh uma instituicao que nasceu no final do seculo 19 e por muitas decadas foi uma entidade interna dentro da igreja da Escocia, mas infelismente o liberalismo e a secularizacao da igreja transformaram essas sociedades internas em instituicao independente perto de 1950. Eh uma organizacao hierarquizada como os Escoteiros, com seus soldados, sargentos e capitaes. Estao espalhados em todo o Reino Unido e sao divididos em distritos. Nada tem a ver com a igreja, nao ha qualquer ensino cristao e seus lideres nada tem a ver com o cristianismo. Mas na St Columba’s eh diferente. O capitao eh o Mr.Walter Smith, presbitero, homem de Deus. Ele me deu boas-vindas em nome dos BB. A igreja reune cerca de 30 garotos toda Sexta-feira de noite e uma sala de estudo biblico foi aberta para os meninos de 11 a 17 anos. Sexta passada haviam 18 garotos nessa sala. A maioria nao tem qualquer vinculo com igreja ou religiao.

 

Esta ai uma grande oportunidade. Comecamos a estudar a Biblia com eles e temos muitas ideias. O objetivo eh termos uma geracao de pessoas tementes a Deus e que possam preencher esse espaco vago na igreja. Que possam ser mais do que garotos da brigada, que sejam transformados em Soldados de Jesus.

 

Ore por isso.

A Luta pelo Reino

August 28, 2008

quase mil anos de história.
Torre da Steeple Church em Dundee: quase mil anos de história.

Os soldados ingleses liderados por Oliver Cromwell subiram na torre da Steeple Church, igreja Presbiteriana cravada no centro da cidade de Dundee na região central da Escócia em 1651, com o objetivo de reconquistar aquele país para, juntamente com a Inglaterra, formarem o que conhecemos por Reino Unido. Cromwell e seus homens subiram no ponto mais alto da torre e de lá atiravam contra a cidade até conquistarem seus objetivos.

Hoje, 357 anos depois, a torre continua lá e é a mais larga do Reino Unido. Construída no século XII, a torre foi inicialmente chamada de St.Mary Tower e o prédio abrigava a Igreja Católica medieval. Na época da Reforma Protestante do século XVI a igreja foi parcialmente destruída, transformando-se em prisão para “adúlteros e fornicadores” de acordo com o que está escrito na torre hoje. Depois disso, a Reforma de John Knox se instalou na Escócia e aquela igreja foi restaurada e transformada na Old Steeple, Igreja Presbiteriana.  A história está preservada dentro dela. É possivel ainda hoje ver um buraco de bala de canhão feito há cerca de 500 anos.

A Presbiteriana está lá até hoje. Neste período de verão, a torre está sendo aberta para a visitação turística duas vezes por semana. A igreja participa desse evento, abrindo suas portas para receber as pessoas e oferecendo-lhes gratuitamente café, chá, suco, bolos e uma variedade de livros, livretos, folhetos, informações sobre a igreja e a história dela. Surge então a oportunidade para um bate papo e a chance de falar de Jesus com os turistas. Eu liderei um grupo por 4 dias e posso testemunhar como foi bom conhecer pessoas de todos os cantos da terra, não somente escoceses. Houve poucas oportunidades de evangelizar diretamente, mas a maioria saía com alguma literatura cristã.

Há quase 4 séculos houve morte e violência para conquistar o reino humano neste lugar. Hoje nossa batalha tem sido conquistar pessoas para o Reino de Deus, não de uma maneira violenta e constrangedora. Só uma morte foi suficiente para fazermos isso, a de Jesus Cristo, aquele que venceu a morte. Sábado termina a batalha. Não conseguimos contabilizar a conquista, mas o Senhor Deus sabe o que cada pessoa levou para sua casa e país. Os resultados são DELE. A ele pois toda a glória eternamente.