Notícias da Escócia

May 17, 2009

gaimage          Essa semana pode se transformar num marco histórico na vida da Igreja da Escócia e certamente mais um capítulo na história do cristianismo contemporâneo. A partir de quinta-feira inicia-se mais uma Assembléia Geral da Igreja da Escócia. Este é o concílio maior da denominação que reúne-se todo ano para aprovar a escolha do seu novo moderador, legislar e tomar decisões de nível nacional. Representantes de todos os Presbitérios dentro da Escócia e fora dela estarão presentes, além de representações provenientes de outros países, representantes do governo e da Rainha.

           O que faz dessa Assembléia um momento histórico é o tema homossexualismo trazido novamente ao plenário de discussões daquele supremo concílio. Dessa vez a Igreja da Escócia se vê diante de uma decisão que pode agradar somente gregos ou somente troianos. Eu não tenho absoluta certeza se vai haver algum acordo ou meio termo que possa conciliar os dois lados. De um lado aqueles que sustentam que um ministro, um pastor de igreja, pode manter relações homossexuais; e de outro, os que são contrários a isso. Para esquentar, ambos os lados têm feito campanhas e procurado agregar apoio (principalmente dos representantes dos presbitérios, que são os que têm poder de voto); além disso, a mídia está encima, um prato cheio, falar de uma igreja de mais de 500 anos que se debate para manter sua identidade no mundo das idéias politicamente corretas, no mundo da tolerância e da inclusão absoluta. Qualquer decisão que a Assembléia Geral tomar no próximo sábado, algo de novo poderá acontecer na metade de cima do Reino Unido. A Igreja pode dividir ou poderá ser tida pelo mundo como retrógrada e obscura. É possível também que um pequeno grupo saia sem abalar tanto as estruturas e afetar a vida de pessoas, congregações e igrejas. Deus sabe o que vai acontecer e a vontade dele será feita.

           É bom que se diga também que esta controvérsia não é necessariamente entre cristãos liberais e ortodoxos, pois nem todo liberal é a favor da prática do homossexualismo por parte dos membros e liderança da igreja. No entanto, esta não deixa de ser uma grande oportunidade que o Senhor nos apresenta para que haja uma definição do que é igreja e do que está em jogo o ser a igreja de Jesus Cristo. Nossa oração é que aqueles que são fiéis ao Senhor e sua Palavra e que estarão naquele plenário, representando nao apenas seus presbitérios e congregações, mas o povo de Deus espalhado em todo o mundo, possam estar sensíveis à oportunidade de reformar, de fato, uma Igreja que tanto serviu a Deus e às nações no passado.

LEITURA Comecei a ler o livro, Finally Alive, de John Piper, recentemente lançado pela editora Christian Focus. Contém 203 páginas, com 5 capítulos, e indexes de referências bíblicas, assuntos e nomes. É um livro que aborda o tema “Novo Nascimento” e o real significado deste termo para hoje, uma vez que tanto aqui na Europa, principalmente no Reino Unido, como na América do Norte “novo nascimento” acabou tornando-se um cliché, ou seja, um termo sem sentido ou um termo intramurus, que só os evangélicos conseguem identificar. É um livro muito bem recomendado por figurões como D.A.Carson, o escocês Iain Murray e J.I.Packer, entre outros norte-americanos, britânicos e canadenses. O ponto em questão é: o que é realmente uma pessoa renascida? O que de fato a regeneração faz com a pessoa? Será que todos os que se apresentam como cristãos são de fato renascidos? Apresento frutos de alguém que nasceu de novo? Como pastor e vivendo numa sociedade totalmente secularizada e pós moderna, espero encontrar nesse livro uma ajuda para abordar o assunto e falar à minha congregação.

OPORTUNIDADE I Nesta semana houve um culto especial quarta-feira com as crianças de 5 anos da Heriot Primary School, escola em que atuo como capelão. Cerca de 50 crianças apareceram na igreja com seus pais e professores para ouvirem sobre o batismo. Foi um desafio grande falar com eles, mas nossa oração é que a semente plantada germine para a glória de Deus. Essa foi uma oportunidade de fato de Deus, pois com a educação extremamente secularizada na Grã-Bretanha onde tolera-se todas as religiões e seitas, menos o cristianismo, por mais irônico que isso possa parecer, essa escola tem trazido as crianças na igreja para aprenderem a importância da mesma e do sacramento do batismo. Oro para que essa geração mude a história e o futuro pessimista deste país.

OPORTUNIDADE II Hoje foi o culto dirigido pelos jovens da Igreja. Foi um plano meu, apresentado ao Conselho e aprovado. Não foi fácil recrutar aqueles jovens. Diferente da minha experiência no Brasil, não precisava pedir 2 vezes para que os jovens me ajudassem no culto. Aqui eu não sei o que acontece… ou sei… enfim, tudo funcionou. Em vez de órgão tivemos teclado e guitarra. O Coral ficou com 5 jovens a mais; os jovens leram os textos bíblicos e o Samuel fez o Children’s Talk, que é uma mensagem específica para as crianças (e claro os adultos aproveitam) dentro do culto. Samuel chamou as crianças e sentou com elas no fundo da igreja no corredor e falou sobre a passagem bíblica em que Jesus lavou os pés dos discípulos, dizendo que não existem pessoas “importantes” na igreja e não existem lugares mais nobres no reino de Deus, pelo contrário, Jesus lavando os pés dos discípulos mostrou que o maior serve e que dos pequenos é o Reino de Deus e que para chegarmos lá Deus torna qualquer grandão crianças de novo. Além disso hoje foi dia das mães. Oramos pelas mães, as crianças distribuíram flores e um arranjo especial de flor para a mãe mais nova (Audrey, 35 anos e Nancy, 94 anos). A mensagem do culto faz parte de uma série que tenho pregado na carta aos Efésios. Hoje foi o capítulo 2, o tema foi “Salvos pela Graça” em que abordei a questão de vida espiritual, morte espiritual e salvação pela graça somente. Por favor, ore por tudo isso. A resposta da igreja pareceu muito positiva com o “novo” culto realizado.

NOVOS CONTATOS Abri uma nova página no orkut chamada “Ore pela Escócia”. Se você quiser ser meu contato, acesse: http://www.orkut.com/Main#Profile.aspx?uid=14045575223138135226′

Aproveitando a onda, abri uma comunidade no orkut chamada “Cristianismo na Escócia”:
http://www.orkut.com/Main#Community.aspx?cmm=56141188

GRANDE ABRAÇO!

Notícias do Campo

February 2, 2009

O trabalho na Igreja St. Columba está caminhando bem até aqui, graças a Deus. Nossa preocupação era a de não se adaptar numa nova cidade, cuja cultura, sotaque e tradição é bem diferente de Dundee, onde moramos por 15 meses. Ainda mais agora que perdemos o vínculo oficial no Brasil. Mas acredito que com o passar do tempo vamos nos sentindo cada vez mais em casa. Confio também que o Senhor que nos trouxe para este lugar jamais nos desamparará.

A cidade de Paisley onde moramos e trabalhamos é uma pequena cidade com um histórico de violência muito grande. Hoje não é mais assim, mas a fama sempre fica. É uma cidade que tem muito comércio, muitas escolas, colleges e uma universidade, mas luta contra a decadência principalmente diante da crise atual. É uma cidade em que predomina idosos, aposentados, muita pobreza e por isso a qualidade dos meios de transportes, trânsito e manutenção de prédios e ruas não são muito boas. Não estivesse a cidade de Glasgow, a maior da Escócia, encostada em Paisley, acredito que a situação estaria pior.

No bairro em que se encontra a igreja há muitos aposentados, idosos que moram sozinhos em casa do governo, uma escola secundária e duas primárias. Apesar de pobre, é um bairro bem cuidado e limpo. Tenho tido muito contato e oportunidade de encontrar pessoas que não pertencem à igreja. Tanto nas escolas, como no azilo e quando há um funeral buscam o ministro da Igreja Presbiteriana. A única protestante do bairro. Por isso, as oportunidades de pregar a Palavra aqui são muitas. E estamos aqui exatamente para isso, pregar a Palavra de Deus. Não houve outra motivação que nos fizesse sair do nosso país, deixar família, empregos, cultura, casa, a não ser a de servir ao Senhor como pastor dessas milhares de pessoas que nos foram confiadas. Peço que ore por nós e por essas pessoas.

O Samuel foi aceito na Universidade e vai fazer Teologia com especialização em missões transculturais no ICC (International Christian College) que fica em Glasgow e tem convênio com a Universidade de Aberdeen. Graças a Deus esta porta foi aberta, num lugar em que predomina o liberalismo teológico, o Samuel encontrou um curso de alto nível acadêmico e realmente cristão. Creio que outro curso reconhecidamente cristão é o Highland Theological que tem convênio com o Reformed dos Estados Unidos. Além disso trabalha como voluntário em instituições cristãs que ajudam pessoas carentes, moradores de rua e crianças de lares problemáticos em Glasgow. Trabalha também um dia por semana com uma intituição cristã em uma escola secundária também em Glasgow.

Alguns projetos foram aprovados na Session (conselho) da Igreja: (1) Criação de uma reunião de oração uma vez por mês; (2) Cultos em conjunto com a igreja em Glenburn e Lylesland, de bairros vizinhos cujos pastores pregam a Bíblia; (3) Culto espeical no dia das mães em Março, dirigido pelos jovens; (4) Semana de oração, na semana que antecede a páscoa em Abril. Atividades tão comuns nas igrejas brasileiras, mas aqui sempre raras. Por isso nossa alegria em compartilhá-las.

Ore para que esses trabalhos sejam uma bênção na vida das pessoas e assim possamos trazer novas idéias no futuro.

No mais estamos bem, e ainda nos adaptando.

Abraços…

How About The Future?

December 15, 2008

O artigo abaixo está sendo publicado na revista da Igreja em que sirvo como pastor, na sua edição especial do Jubileu de Ouro da Igreja.

As I write this, I am thinking about the expectation people have of my ministry in St Columba Church for the years ahead. A Presbyterian minister who comes from a different culture, different tradition and different language (and temperature by the way) could bring a new style, relevance, adaptability (or openness to change) and growth for the church. For some, maybe, this could mean the beginning of a new era in St Columba’s history, but for others it could sound the prospect of becoming a non-typical Church of Scotland in the future.

Jesus Christ is the Lord of the Church; he loves her and he “gave himself up for her to make her holy, cleansing her by the washing with water through the word, and to present her to himself as a radiant church, without stain or wrinkle or any other blemish, but holy and blameless.” (Ephesians 5:25-27). This means that our central responsibility as Church – today and every day – is to be prepared for the second coming of Jesus Christ, the husband. The aim is to be prepared in holiness, obedience and faithfulness to the God almighty. But what will that mean for us today and tomorrow and in the days that follow?

 If we look at the world situation today: violence, wars, terrorism; considering people’s hearts – many people really far from God – it seems difficult to think about a holy and blameless church today. Because of that, people are concerned about the future of the Church; some want to please the youngsters, others think that the old good tradition is the best thing the church has. In fact, these are honest concerns from many zealous and committed Christians about tomorrow. However the good news is that God the Father, by his amazing grace, is the one who really leads the church. Jesus’ job is to take care of the church because he is her husband. Our job is to listen to the Word of God and put it into practice, applying all its principles and truth in our lives.

How about the future of St Columba Church? We are not really sure about it… no strategy will be effective enough; no human wisdom or clever organisation will transform and/or keep this or any other church energetic and powerful. All we know is that if our joy, as church and people, is fixed in God, the future of this church will be glorious. Only Jesus Christ is able to maintain the church as a spiritual body, approved by God and holy. He sends the church the Holy Spirit, and he speaks through the Spirit using his Word. All we have to do is to keep faithful to him, keep praying and doing our best for the kingdom of God as a result of our faith. No matter where we came from, no matter our culture or tradition.

So let us do our best to have a friendly church, to attract people, but above all to have our focus and task on God and his glory.

Now it is required that those who have been given a trust must prove faithful.” (1 Corinthians 4.2)

Rev. Dráusio Gonçalves

Conhecer Graham Nash representa uma boa notícia, uma bênção de Deus aqui. Digo isso não somente porque nossas igrejas estão bem próximas, mas principalmente por causa da sua visão reformada e centralizada em Cristo e em sua Palavra que ele tem. Este jovem pastor não se mostra muito preocupado com as estatísticas pessimistas sobre o declínio numérico dos membros das Igrejas aqui na Escócia. Ele faz questão de lembrar que o Senhor sempre tem seus eleitos em todos os lugares. Dessa forma, a presença de um servo de Deus com esta visão muito nos anima. Nossos planos são de estreitar laços entre as duas igrejas e mantermos intercâmbios; trabalharmos juntos nas escolas e instituições seculares que temos tido acesso.

Continuando a analisar a proposta que Nash faz ao seu conselho, visando o futuro da igreja, diz o pastor que a igreja centralizada na Bíblia é igreja que ora. De acordo com Efésios 6.17-18, Nash declara que Deus dá à sua igreja duas armas, a Palavra e a oração. Assim como a árvore que é plantada junto aos ribeiros de águas do Salmo 1, diz ele, “a chave do crescimento está no local de onde tiramos a nutrição”. E então ele pergunta, “onde estão nossas raízes?” A resposta vem novamente do Salmo 1: assim como o homem justo busca seu alimento no Senhor, meditando em sua Palavra de dia e de noite, somente cresceremos como igreja se nossas raízes tiverem sido plantadas na Palavra de Deus. Ou seja, a igreja só crescerá, num crescimento que agrada a Deus, se estiver estabelecida sobre o fundamento dos apóstolos e profetas, com o Senhor Jesus, sendo ele próprio a pedra angular (Efésios 2.20). E se o Senhor não edificar a casa, conforme o salmo 127, em vão trabalham os que a edificam. Por isso, diz Nash, nosso foco deve ser principalmente voltado ao estudo e meditação da Palavra de Deus e na vida de oração, muito mais do que fazendo coisas, atividades sem parar, como se a igreja dependesse totalmente do nosso esforço. Nossa oração não é pedir para Deus o que queremos fazer, mas sim rogar a ele sua direção e que sua vontade seja feita.

Antes de sair do Brasil um pastor me disse, “a noite chegou na Escócia, não há mais luz!” Infelizmente muitos pensam assim por desconhecer a história dos grandes feitos de Deus e por falta de visão missionária e pastoral. Para nós, a presença de Graham Nash e outros aqui na Escócia mostra claramente que Deus tem seu povo aqui e um plano de redenção neste canto do mundo. Somente a ELE, toda a glória eternamente.

Olhando para Frente

October 19, 2008

         Continuamos o trabalho pastoral e missionário aqui na Escócia com a graça de Deus. Estamos seguindo em frente, com os olhos fixos em Jesus, o autor e consumador da fé. Somente no Senhor nós esperamos.

        Tivemos a alegria de almoçar com um pastor cuja igreja e paróquia é muito próxima da minha. Até se misturam em algum ponto. O nome dele é Graham Nash, jovem pastor, fez teologia na Universidade de Glasgow e em determinado momento de sua vida foi marcado positivamente pelo evangelho da graça do nosso Senhor Jesus Cristo. Durante nossa conversa ele me apresentou um material escrito que preparou como plano para o crescimento da sua igreja, a Glenburn Parish Church. O tema do plano é, “Uma visão para o futuro”. Quero falar um pouco sobre o que eu li, principalmente na parte inicial, para mostrar a mente e coração de um pastor escocês que mantém-se fiel a Deus e sua Palavra, apesar de ter recebido tantas outras influências. Engana-se quem pensa que tudo está perdido na Escócia!

Nash começa dizendo que não existe nada de errado em desejar o crescimento numérico da igreja,  o problema é que esse desejo pode transformar-se numa tentação. Grande parte do que se fala sobre “estratégias de crescimento de igreja” soa como métodos de ampliação de negócios e plano de otimização comercial no mundo secular. Nash acertadamente coloca que a igreja deve pensar em termos de “visão para o futuro”, muito mais do que concentrar-se na idéia de “crescimento numérico”.

        A primeira pergunta feita pelo pastor é, “por que queremos crescer?” Ele responde de uma forma bem objetiva e não menos interessante. O lado positivo do “querer crescer numericamente” pode ser visto, por exemplo, quando os crentes querem dividir o amor de Deus com as pessoas de fora; ou quando desejam espalhar o evangelho de Jesus e serem usadas para a conversão de outras; além disso, os cristãos querem ver sua igreja crescer para que mais pessoas adorem a Deus e ouçam a Palavra. Todos esses são motivos salutares que levam as pessoas a desejarem o crescimento da igreja. Mas há outros motivos não tão salutares assim. Concordo com Nash quando ele diz que são motivos meramente humanos, como por exemplo:

·        Observam a idade das pessoas da congregação e temem que um dia desaparecerão. Medo tão comum aqui na Escócia, mesmo vindo de cristãos sinceros;

·        A manutenção do prédio onde funciona a igreja é grande, assim, mais pessoas, mais dinheiro.

·        As pessoas (e alguns ministros) gostam de ser vistos como igreja que cresce em número.

Nash acerta ao dizer que crescimento da Igreja, conforme se lê em Efésios 4, diz respeito mais à maturidade espiritual do que a números. O desejo de Deus, declara ele acertadamente, é que seu povo cresça em fé, no conhecimento do Senhor Jesus Cristo e no amor entre o povo de Deus, tornando-se mais parecido com ele na vida diária. Não existe nada errado no crescimento numérico, mas nossa prioridade, completa ele, deve ser voltada para o crescimento espiritual.

De fato, o propósito é glorificar a Deus, Efésios 1.12. A igreja que busca o crescimento para si própria, ainda que cresça realmente, pode não contar com a presença abençoadora de Deus e por isso falha. Mas a igreja comprometida em glorificar a Deus em tudo o que faz crescerá porque nela Deus vai trabalhar para cumprir seus abençoados propósitos.

Para isso, diz Nash, a igreja precisa ser centralizada na Palavra. E este será o tema do próximo post.

Os Garotos da Brigada

September 26, 2008

Para grande parte da populacao da Europa em geral e da Escocia em particular, igreja eh simbolo de retrocesso, opressao, readicalismo e ate imperialismo. Homens e mulheres entre 17 e 50 anos de idade (a grosso modo falando) estao entre os que pensam assim. Essa eh uma das razoes porque eh dificil encontrar jovens e adultos nos cultos em quase todas as igrejas. Existe na verdade um pequeno grupo de criancas e um numero grande e crescente da terceira e quarta idade. Como trazer esse grupao de volta? Esse eh um dos temas de maior preocupacao na Igreja da Escocia e em outras denominacoes. O que vai ser da igreja nos proximos 20 anos, quando a idade avancada estiver indo dessa para melhor? (ou pior!). Nao existe hoje, humanamente falando, uma geracao para ocupar os bancos da igreja no lugar deles. O que acontece entao? As igrejas vao enfraquecendo, vao ficando pequenas e sem poder financeiro. Unem-se a outras igrejas, vendem seus predios para donos de Bingo, restaurantes, boites, e outras coisas… Alguns pastores pastoreiam 2, 3, 4 ou ate 5 igrejas ao mesmo tempo.

 

A Igreja St Columba’s aqui em Paisley nao foge desse quadro. O conselho formado por 29 presbiteros tem os dois mais jovens na idade de 60 e 63 anos, respectivamente. Eh um conselho aberto a mudancas, mas hoje a igreja so tem uma reuniao semanal que eh o culto de Domingo de manha. Nao existe reuniao de oracao, estudo biblico, escola dominical para jovens e adultos, nao existem as famosas sociedades internas, a nao ser a das Senhoras, aqui eh chamada de Women’s Guild.

 

O que existe de positivo aqui na nossa igreja e potencialmente um grande desafio e oportunidade, sao algumas organizacoes que nao sao da igreja, sao seculares, mas funciona nas salas da igreja durante os dias da semana.

 

Uma dessas organizacoes eh o Boys Brigade. Eh uma instituicao que nasceu no final do seculo 19 e por muitas decadas foi uma entidade interna dentro da igreja da Escocia, mas infelismente o liberalismo e a secularizacao da igreja transformaram essas sociedades internas em instituicao independente perto de 1950. Eh uma organizacao hierarquizada como os Escoteiros, com seus soldados, sargentos e capitaes. Estao espalhados em todo o Reino Unido e sao divididos em distritos. Nada tem a ver com a igreja, nao ha qualquer ensino cristao e seus lideres nada tem a ver com o cristianismo. Mas na St Columba’s eh diferente. O capitao eh o Mr.Walter Smith, presbitero, homem de Deus. Ele me deu boas-vindas em nome dos BB. A igreja reune cerca de 30 garotos toda Sexta-feira de noite e uma sala de estudo biblico foi aberta para os meninos de 11 a 17 anos. Sexta passada haviam 18 garotos nessa sala. A maioria nao tem qualquer vinculo com igreja ou religiao.

 

Esta ai uma grande oportunidade. Comecamos a estudar a Biblia com eles e temos muitas ideias. O objetivo eh termos uma geracao de pessoas tementes a Deus e que possam preencher esse espaco vago na igreja. Que possam ser mais do que garotos da brigada, que sejam transformados em Soldados de Jesus.

 

Ore por isso.

Começamos uma nova fase

September 4, 2008

Ontem foi minha induction (posse) na Igreja St Columba, na cidade de Paisley. Foi o final de uma fase, uma gestação muito bem sucedida que chegou ao seu final. Depois de eleito nessa igreja no dia 29 de Junho passado, ontem o Presbitério Greenock-Paisley em culto solene declarou a minha posse no pastorado efetivo desta congregação.

O culto foi uma celebração muito parecida com a minha ordenação ao ministério no Brasil, 15 anos atrás. O presbitério esteve presente com 47 de seus membros. A igreja em peso. A igreja de Dundee, Steeple Church, apareceu com ônibus e carros. Também vieram amigos nossos. Estiveram lá também meus queridos irmãos, companheiros e colegas de pastorado, José Roberto, Alberto esposas e filhos.

Gostei muito do culto e da cerimônia de posse em que tive que reafirmar diante de Deus, do Presbitério e da Igreja o meu compromisso com a Palavra de Deus e a minha lealdade à Confissão de Fé de Westminster. O mesmo compromisso feito na minha ordenação.

Depois do culto houve um momento social no salão. Serviram lanche, doces, café e chá. Houve rápidos discursos e homenagens prestadas ao antigo pastor que me acompanhou nesse processo de sucessão do início ao fim. Lia e Fiona, as esposas, também foram homenageadas.

St Columba’s Church é uma igreja jovem e se encontra numa área com grande potencial de trabalho. É uma igreja tradicional e parece disposta a trabalhar e crescer em torno da Palavra de Deus.

A preparação para o ministério na Escócia acabou no dia 31 de Agosto. A efetivação do chamado aconteceu ontem à noite. A gestação chegou ao fim e agora o desafio é trabalhar para o crescimento espiritual deste povo. A missão que o Senhor plantou em nosso coração agora é uma realidade. Existe um caminho à frente mas o que vale dizer é que, até aqui o Senhor nos ajudou e ele continuará conosco, nos fortalecendo em meio às lutas e assim daremos nossa pequena contribuição, visando trazer para esta nação um grupo de pessoas que o adorem em espírito e em verdade. A ele, toda a glória eternamente.

O Senhor nos chamou para servi-lo aqui

Prédio da Igreja St Columba: O Senhor nos chamou para serví-lo aqui

Quando estava para deixar o Brasil rumo à Escócia, eu me imaginava no novo país, como que numa trincheira, em plena guerra contra os chamados liberais, lançando no campo deles granadas e dando tiros e, dessa forma, considerando que eu sou o lado do bem, um dia haveria de prevalecer e reconquistar a Escócia para a verdadeira Reforma. Pensava eu que meu campo de batalha seria tanto no mundo dos debates teológicos como no dos concílios: argumentando e contra-argumentando, fazendo alianças, organizando reuniões secretas e me colocando como guardião e fiscal da fé reformada e pronto para denunciar a todos, quem quer que fossem.

Ao chegar na Escócia percebi que a guerra não é tão declarada assim – costumava ser no passado, o que causou muito escândalo, divisão e desânimo. Fui recebido no Presbitério de Dundee com muita honra e consideração; como membro correspondente, ou seja, tendo minha ordenação e ministério de 15 anos reconhecidos por este concílio. Verifiquei que a Igreja da Escócia, como denominação, mantém-se fiel em seus documentos à Confissão de Fé de Westminster e à Bíblia como única regra de fé e prática. Na prática, esses símbolos de fé não são integralmente seguidos pela maioria, mas eles estão lá, por enquanto, culpando de certa forma aqueles que não os subscrevem. Temos aí então um motivo e força legal para declarar guerra aos ímpios de dentro da igreja. Mas quem são eles? Onde eles estão? Será que existe apenas uma forma de combatê-los, ou seja, movendo tribunais, batendo boca ou formando grupelhos reacionários?

No Brasil, eu entendia os liberais como sendo aqueles que professam a fé cristã de maneira diferente de nós evangélicos, reformados, conservadores e ortodoxos. Parecia ser fácil para mim separar ovelhas de bodes, joio de trigo (que a propósito nunca fora minha função). Ao chegar na Igreja da Escócia percebi que as coisas não são tão “preto-no-branco” como eu imaginava. Existe uma guerra? sim. O liberalismo é um mal para a Igreja? Sim, definitivamente, pois se o texto bíblico tem autoridade igual a qualquer outro texto, a igreja que assim aprende fica destinada ao raquitismo espiritual. Como saber a vontade de Deus se a própria Palavra revelada por ele é negligenciada? O problema é que o inimigo é sutil e muito bem camuflado. Sua postura amiga, ética e tolerante para com linhas teológicas diferentes e até divergente são claras como cristal. Até mesmo os que, como eu, defendem a autoridade absoluta das Escrituras, os aqui chamados “evangélicos”, da mesma forma acabam tendo que ser sutis. Uma das razões para serem assim é porque no passado, os chamados reformados, calvinistas, ortodoxos e evangélicos perderam terreno e força para influenciar a igreja. Eles apresentavam uma conduta e comportamento um tanto intolerante, debatedor, politiqueiro e ao mesmo tempo sem muita ética; hoje os que querem ver a igreja espiritualmente sadia e de fato reformada não querem ser comparados com o velho evangelicalismo de direita (como eles chamam aqui), pois associação com eles enfraquece qualquer ação.

Vejo agora na Escócia uma batalha muito mais difícil e menos óbvia. Difícil saber quem é quem e, mesmo sabendo, a lida com eles há que ser diferenciada. Por exemplo, há igrejas que, a despeito de parecer de cor liberal, promovem trabalhos que envolvem tanto distribuição de Bíblias como o ensino da mesma; Escolas Dominicais de linha aparentemente não muito ortodoxa adotam material da Scripture Union, entidade reconhecidamente cristã e de fé bíblica e ortodoxa; conheci pastores e cadidatos a pastores que apresentam certas deficiências teológicas, fruto da formação acadêmica que tiveram, essa sim, totalmente liberal, mas que no geral apresentam fé evangélica quando oram, pregam e quando cuidam, com dedicação, do rebanho. Como peneirar isso? Como lidar com isso? Creio que somente com a sabedoria que vem de Deus.

As vezes páro e questiono se a postura de tentar purificar a igreja com documentos, denúncias, partidos e facção constrói de fato uma igreja saudável aos olhos do Senhor. O combate aqui é feito de forma um tanto diferente pelos não-liberais. O campo de batalha é na igreja, no púlpito, na visita pastoral, no andar junto, no relacionamento entre pastor e ovelha, no envolvimento com missões, evangelização e na área social (por que não?). E eu acredito nisso, no trabalho da igreja local. No pregar a Palavra, na assistência pastoral e na ação. Quando se ouve dizer no Brasil que a Igreja na Escócia está acabando, fechando e em franco declínio, é bom que se saiba que as igrejas daqui que são fiéis à Palavra de Deus não fazem parte deste quadro. O que as igrejas precisam, aqui e no Brasil, são de líderes que de fato atendam e apascentam o rebanho dentro da autoridade da Palavra e submissos a ela. Os que agem diferente, independente em que exército servem ou em que país estejam, Deus mesmo é quem lhes manda o seu juízo.

Fico pensando como a igreja no Brasil é privilegiada. Sempre com jovens, pessoas de todas as idades e membros que amam a Palavra e têm sede por ela. Hoje entendo que a solução é a mesma também para o Brasil. Igreja local trabalhando, ministros pastoreando seu rebanho com dedicação e empenho.

Quem são os inimigos? Não sei exatamente, mas o que cabe a mim é ter cuidado de mim mesmo e da doutrina. O Senhor faz o resto.

“A sabedoria , porém, lá do alto é, primeiramente pura; depois, pacífica, indulgente, tratável, plena de misericórdia e de bons frutos, imparcial sem fingimentos. Ora, é em paz que se semeia o fruto da justiça, para os que promovem a paz”. (Tiago 3.17-18)