Meus Pensamentos a Respeito da Assembléia Geral
June 3, 2011
Agradeço a oração de todos pela Assembléia Geral da Igreja da Escócia duas semanas atrás. Muitas informações têm sido transmitidas e percebo alguns irmãos no Brasil preocupados, inclusive com a minha presença aqui. Digo de antemão que estamos entrando num momento de grande tensão para mim, minha família e não somente nós mas várias pessoas aqui que são de fato comprometidas com Deus e sua Palavra.
Tem-se falado muito sobre o resultado do debate na segunda-feira, dia 23 de maio com referência ao relatório da comissão especial que trata do Relacionamento Homossexual e o Ministério.
Muito têm-se falado com respeito à decisão tomada e muitos orgãos da imprensa parecem querer atrapalhar ainda mais a situação.
Coloco abaixo o texto completo sobre o que foi decidido segunda-feira, mas antes gostaria de descrever o minha posição quanto à presente situação:
- Nenhuma decisão final foi tomada no que diz respeito à Igreja da Escócia permitir que pessoas envolvidas em relações homossexuais sejam consideradas para o ministério.
- Entretanto, segunda-feira, a Assembléia Geral votou (por 351 votos contra 294) por uma tragetória rumo à visão revisionista da questão (ou seja, uma visão oposta ao ensino tradicional da Igreja).
- Uma comissão teológica foi formada com o objetivo de analisar toda a questão e trazer um relatório para a reunião da Assembléia Geral de 2013.
- A Assembléia Geral de 2013 vai debater e decidir sobre o relatório e votará o parecer da dita comissão – se permite ou não pessoas em relacionamento homossexual (ou possivelmente pessoas que já estiverem em união civil, o que é permitido nesse país) para o ministério da Igreja da Escócia.
- Se a Assembléia Geral de 2013 votar a favor da permissão de pessoas em relacionamento homossexual para o ministério, eu acredito que isso deverá descer e ser aprovado pela maioria dos presbitérios, antes de se tornar a posição oficial da Igreja.
- Até 2013 a Igreja não pode permitir ninguém que esteja em relacionamento homossexual adentrar ao ministério ou começar a estudar para o ministério. Entretanto, ministros que foram ordenados antes de Maio de 2009 que estejam em relacionamento homo estão livres para continuarem a trabalhar.
Faço aqui 3 observações:
1. Enquanto nenhuma decisão final foi feita, senti (creio que não somente eu) que a votação de segunda-feira foi um divisor de águas. Parece que foi um momento mais significante do que o que está de fato inserido nas palavras da decisão, principalmente pelo que se votou contra.
2. O debate em plenário trouxe luz à larga e clara distância entre dois grandes grupos na Igreja – tradicionais (a maioria evangelicais) e revisionistas (os liberais). Dois diferentes evangelhos estão sendo pregados na mesma igreja. A mesma linguagem tem sido usada por ambos os lados, ou sejam, “evangelho”, “missão” e “graça”, mas com significados bem diferentes. A discussão sobre homossexualidade não foi mais grave quanto à falta de aceitação da autoridade das Escrituras, quanto à Pessoa e ao propósito da vinda de Jesus Cristo da parte dos liberais. Apesar de todo falatório sobre unidade, está muito claro que existe um “nós” e um “eles” e é difícil ver como a Igreja pode continuar junta, unida, com esses dois grandes grupos em oposição.
3. Algumas pessoas deixaram a Igreja da Escócia depois da decisão da Assembléia Geral em 2009 e podemos esperar que mais façam o mesmo agora. Não pretendo deixar a igreja sem antes ouvir outros. Há um grande grupo se formando e reuniões estão começando a serem articuladas, mas ainda é cedo para se pensar que está se formando uma nova denominação; da minha parte não desejo precipitar-me, embora minha insatisfação e frustração sejam grandes. Por outro lado, minha convicção é de que Deus me chamou para uma missão, e quem sabe ele quer a mim e muitos outros como luz brilhando nas trevas.
Meus sentimentos nesse momento são:
Fiquei chocado com algumas coisas ditas durante o debate e, da forma como foi se debatendo não poderia esperar outro resultado. Depois de tudo lamentei ao ver a Igreja de Knox mover-se para longe do que eu acredito ser a vontade clara do Senhor. Acho dificil não haver uma divisão agora e penso que seria o melhor para todo mundo. O que ainda não está claro é como isso vai acontecer.
Não sei o que vai ser daqui para frente. Por enquanto sigo pregando a Palavra de Deus do púlpito de minha igreja e por onde for. Falarei abertamente o que o Espírito me der a falar baseado nas inerrantes Escrituras no Antigo e Novo Testamentos. Não desejo me calar frente às pressões dos liberais e sempre que o Senhor me conceder oportunidade falarei a respeito do amor e da justiça de Deus conforme se vê revelado na Palavra dele, de forma branda, educada e temperada, mas mesmo que o custo disso seja a perseguição e volta para o Brasil. Melhor é sempre estar com o Senhor.
Continuo convicto de que Deus é soberano, de que ele está trabalhando aqui e que ele sabe o que está fazendo. O que eu não sei exatamente é o propósito dele e por isso só o que posso fazer é confiar e me manter fiel ao chamado que ele me encumbiu, para a glória dele.
Desculpe por escrever tanto! Mas peço oração, apoio e entendimento quanto ao momento que não somente eu, mas muitos irmãos e irmãs fiéis ao Senhor estão passando. Vejo muitos de longe escrevendo sentenças simplistas, cheias de julgamento, soluções fáceis e debochadas. Que todos procurem a informação mais exata possivel e estejam conosco!
Que a PAZ do Senhor inunde cada vez mais nossos corações.
The General Assembly:
1. Receive the Report.
2. Adopt as the proper approach to homosexual Christians the recommendations of the Special Commission, namely:
(i) The pastoral care of homosexual Christians
(1) It is contrary to God’s will that Christians should be hostile in any way to a person because he or she is homosexual by orientation and in his or her practice. In other words we view homophobia as sinful. We do not include in the concept of homophobia both the
bona fide belief that homosexual practice is contrary to God’s will and the responsible statement of that belief in preaching or writing.
(2) It is the duty of the Church to welcome, minister, and reach out to people regardless of their sexual orientation and practice. The Church should strive to manifest God’s love to all of his people.
(3) In particular, the Church should recognise the heavy burden which a homosexual orientation continues to place on some who find it difficult or impossible to reconcile their orientation with their understanding of God’s purposes as revealed in the Bible. There is a particular need for the Church to reach out pastorally to them and to make them welcome.
(ii) The eligibility of homosexual Christians to hold office
(4) People who are homosexual by orientation are not barred by their orientation from membership of the Church or from taking up leadership roles in the Church, including the ministry of Word and Sacrament, the diaconate and eldership.
3. Subject to the moratorium set out in 8 below, maintain the unlawfulness of discrimination in the Church on the grounds of sexual orientation in terms of the Act anent Discrimination (Act V 2007).
4. During the moratorium set out in 8 below, allow the induction into pastoral charges of ministers and deacons ordained before May 2009 who are in a same-sex relationship.
5. During the moratorium set out in 8 below, instruct all Courts, Councils and Committees of the Church not to issue press statements or otherwise talk to the media in relation to contentious matters of human sexuality, in respect to Ordination and Induction to the Ministry of the Church of Scotland.
6. In the light of the experience of the Special Commission and, in particular, the need for a sustained theological addressing of the matters before the Church, establish a Theological Commission of seven persons representative of the breadth of the Church’s theological understanding, with the task of addressing the theological issues raised in the course of the Special Commission’s work; and instruct the Selection Committee to bring names to a future session of the General Assembly.
7.
Resolve to consider further the lifting of the moratorium on the acceptance for training and ordination of persons in a same-sex relationship, and to that end instruct the Theological Commission to prepare a report for the General Assembly of 2013 containing:
(i) a theological discussion of issues around same-sex relationships, civil partnerships and marriage;
(ii) an examination of whether, if the Church were to allow its ministers freedom of conscience in deciding whether to bless same-sex relationships involving life-long commitments, the recognition of such lifelong relationships should take the form of a blessing of a civil partnership or should involve a liturgy to recognise and celebrate commitments which the parties enter into in a Church service in addition to the civil partnership, and if so to recommend liturgy therefor;
(iii) an examination of whether persons, who have entered into a civil partnership and have made lifelong commitments in a Church ceremony, should be eligible for admission for training, ordination and induction as ministers of Word and Sacrament or deacons in the context that no member of Presbytery will be required to take part in such ordination or induction against his or her conscience; and to report to the General Assembly of 2013.
8. Instruct all Courts, Councils and Committees of the Church not to make decisions in relation to contentious matters of same-sex relationships, accept for training, allow to transfer from another denomination, ordain or (subject to 2 above) induct any person in a same-sex relationship until 31 May 2013.
9. Thank and discharge the Special Commission.
Querido Dráusio: Li todo seu post. Não foi tão longo assim. Compreendo o que vc está passando aí na Escócia e como deve estar o seu coração. Aqui no Brasil a luta é política como vc deve saber. Aqui os evangélicos (de verdade) mantém-se firme (até quando não sei). Mas aí a situação e na própria igreja, na própria denominação. Estou me colocando em posição de intercessor por vc, Lia e Samuel. Por vc sua família e ministério. Vou orar pedindo ao Deus de toda graça que ter revista de poder (aquele de Atos 1.8) e no abrir de tua boca, corações sejam realmente tocados. Que o púlpito não seja uma trincheira, mas sim uma tribuna de proclamação da verdade motivado pelo amor. Um abraçao.
Obrigado, Mauro, pelo comentário e pela sua disposição em nos apoiar em oração. As coisas estão acontecendo e logo darei mais informações. Grande abraço Maurão.
Olá Drausio, situacao difícil não é ? Mas creio firmemente que Deus tem um propósito em todas as situacões de nossa vida. Ler o artigo me permitiu antever o caminho que tal situacao pode ter aqui no Brasil também. Creio que ainda estamos longe de uma situacao semelhante, mas se nos calarmos, depois que arrancarem nossa língua, como poderemos falar. De qualquer forma ou aí, ou aqui se for necessário voltar, Deus continue abencoando voces!
Beijos
Madá
Caro amigo e irmão,
Nos entristecemos com toda esta situação, e lamentamos que isto aconteca dentro da igreja de Cristo. Mas cremos sim nas promessas de Deus, na Sua Palavra. Ele está com você e com todos os que são fiéis a Ele. Conte com minhas orações.
Em Cristo,
Valmir Rocha
Caro Dráusio, que bom ler seu post. Se, por um lado, a situação é grave, por outro, vejo que ainda há tempo para, se for da vontade de Deus, haver uma mudança dos rumos. Conte com minhas orações neste sentido.
Forte abraço,
Ageu
Rev.Dráusio, que o Senhor o sustente e zele sua vida e fidelidade, estou contigo em oração!
Forte abraço!
Dc.Daniel Cardeal
Bom dia pastor Dráusio,estaremos em oração,suplicando ao nosso Deus Supremo a Sua intervenção…Fique firme no Senhor Jesus e que Ele continue a abençoá-lo. Abraços
Caro Rev. Drausio
Estamos orando pelo senhor e família e, de forma geral por toda igreja presbiteriana escocesa no sentido de que Deus reverta os passos que já foram dados rumo a aceitação de tal pecado no seio da igreja da Escócia. Tínhamos a certeza de que o senhor não apoiaria tal absurdo. Fique com Deus e receba nossos cumprimentos, sempre certos de que Deus é quem conduz nossa vida em triunfo. Um abraço do Rev. Wellington e Igreja do Ipê.
Caro Rev. Dráusio,
Estava lendo esta manhã as Escrituras quando me deparei com o texto: “Reservei para mim sete mil homens, que não dobraram os joelhos diante de Baal” (Rm 11:4). A Igreja de Cristo segue vitoriosa, apesar das insistentes tentativas do Inimigo em lançar o joio. Você aí é prova disso. Que Deus o abençoe e fortaleça!
Abraços brasileiros,
Rev.Dráusio,
Eu li todo seu depoimento, e apesar de tudo que vocês estão passando fiquei muito feliz em saber que o Sr e família continuam firmes na palavra do Senhor.
O que não foi surpresa pra mim pois sua conduta como pastor sempre foi exemplar para nós os membros da Igreja do Jardim Ipê.
Deus o fortaleça e te guarde sempre estaremos orando pelo seu ministério.