Eu cresci acreditando que Paróquia é uma palavra relacionada à Igreja Católica Romana. Quando fui para o seminário descobri que era um sistema tanto da igreja católica como da protestante, principalmente na Europa desde o movimento da Reforma do século XVI no caso dos protestantes. Hoje, convivendo e trabalhando numa Igreja antiga como a Igreja da Escócia, estou convencido de que o sistema paroquial pode ser uma interessante ferramenta para a igreja no sentido de alcançar as pessoas de fora.

            A igreja da Escócia estabeleceu uma igreja em cada vilarejo e cidade em todo o país. Onde quer que haja um amontoado de gente morando, no campo ou no centro urbano, existe um trabalho presbiteriano. E assim é até hoje. Cada uma dessas igrejas locais é responsável pela região em que está plantada. A igreja é, de certa forma, responsável pela vida espiritual das famílias que estão dentro daquela região. Essa região ao redor de cada igreja local é chamada de paróquia.

            As famílias que moram numa paróquia não são necessariamente membros da Igreja; não são necessariamente cristãos, mas mesmo assim a Igreja tem responsabilidade sobre essas vidas. Tanto casas como escolas, hospitais, azilos, comércio, empresas e até times de futebol ou qualquer outro esporte que estiverem dentro de uma paróquia são alvos de oração, visitação, assistência, enfim, todo tipo de contato que possa ser feito entre igreja e comunidade. Normalmente o ministro atua como um capelão dessas entidades, organizações e famílias. Dependendo da atuação da Igreja e de seu pastor, ele é chamado para funerais, casamentos, batismos, inaugurações, abertura e encerramento de ano letivo, participações em eventos escolares e assim por diante.

            É aí que eu vejo a oportunidade que a Igreja tem de testemunhar o evangelho. Principalmente numa cultura como a da Escócia que não aceita mais a pregação da Palavra na base da abordagem pessoal; uma cultura que não aceita pregadores de rua, distribuição de folhetos, cultos ao ar livre e tocadores de corinhos na praça. Religião para alguns escoceses é algo pessoal e por isso a mensagem deve ser pregada sutilmente, procurando despertar o interesse das pessoas. Mas apesar de não aceitarem bem o evangelismo pessoal, o sistema paroquial parece que está gravado na formação cultural deste povo. De alguma forma eles entendem que estão debaixo da jurisdição de uma Igreja, seja ela a Presbiteriana, Anglicana ou Católica e isso é mais forte nas pequenas towns e vilarejos ao redor do Reino Unido. Ser parte de uma paróquia é algo presente, portanto, na mente britânica. Havendo um caminho aberto as pessoas acabam procurando a igreja ou o pastor quando precisam e é nessa hora que surge a oportunidade. As palavras proferidas num funeral, casamento, batismo e outros eventos podem encontrar ouvidos e corações férteis de acordo com o soberano propósito de Deus; igrejas que estrategicamente dispõem literatura evangelística, acessível e que cultivem um excelente ambiente de boas vindas, estão fazendo excelente uso das oportunidades.

            Mesmo igrejas de grandes centros em que o pastor tem visão e preocupação evangelísticas têm feito com criatividade o trabalho de alcançar as pessoas e a cidade. Trabalhando assim a igreja atua como sal da terra e luz do mundo. É uma pena que muitos líderes não tenham essa visão, talves por causa da teologia liberal que seguem, ou por terem outros objetivos e ambições; o fato é que, com isso, a missão de fazer discípulos é deixada de lado.

            Creio que no Brasil não seja necessária uma adoção oficial do sistema paroquial por parte das igrejas. Contudo, seria importante uma visão e ação nesse sentido. É verdade que muitas igrejas já estão atuando assim, envolvendo-se na comunidade e sendo bênçãos onde estão inseridas, cujos ministros, por exemplo, amam o trabalho local e não tenham tempo a perder com coisas irrelevantes. Líderes que aproveitam as oportunidades, priorizam atividades que levem a igreja a desejar olhar para fora das quatro paredes e preocupar-se com o fazer discípulos de Mateus 28.19. A igreja brasileira tem um potencial muito grande com jovens, adolescentes, jovens adultos, preocupação com o estudo da Palavra e em louvar ao Senhor. As igrejas e presbitérios deveriam elaborar planos para que oferecessem aos seus ministros condições financeiras dignas, ainda que básicas, e assim exigir deles tempo integral no trabalho pastoral e envolvimento com as suas “paróquias”.