Por que o declínio no rol de membros?
August 14, 2008
A mensagem de Jesus em Mateus 28.16 a 20 serve para a igreja de hoje também. Ele envia seus representantes para o mundo todo, para dar às pessoas a oportunidade de ter um relacionamento com Deus, para aprender mais sobre ele e alegrar-se com sua poderosa presença em suas vidas. Em outras palavras, a missão é oferecer livremente a salvação e com ela proporcionar um sentido na vida, um sentimento de pertencer que muitos hoje desejam ter, mas poucos conseguem encontrar.
No ano passado preparei um artigo para a Igreja da Escócia como parte do meu processo de efetivação como pastor desta igreja. Descobri que essa denominação está perdendo seus membros e deixando de receber novos a cada ano. E o futuro, como será? Sei que não existe resposta fácil, mas as estatísticas estão levando alguns ao desespero.
Eu não sei como anda a Igreja Presbiteriana do Brasil nesse aspecto, mas na minha opinião o importante é saber como a igreja reage às palavras de Jesus em Mateus 28.
Acredito que quando o povo de Deus se mobiliza e dá prioridade ao Reino de Deus, coisas boas acontecem. Quando os crentes levam a sério o que está escrito em Mateus 28, por exemplo, Deus abençoa a igreja e certamente os frutos virão.
No filme “The Shawshank Redemption” um homem idoso chamado Brooks Hatlan foi solto da cadeia depois de cumprir sua pena. A prisão foi sua casa durante grande parte da sua vida. Depois de solto, percebeu que estava fora do seu mundo e a partir daí o que mais queria era voltar para a prisão, onde, apesar de não ter liberdade, pertencia a um grupo de amigos em um ambiente familiar a ele. Sua angústia do lado de fora foi tanta que ele escreveu uma carta para seus amigos na prisão dizendo, “meu mundo acabou e se transformou numa verdadeira loucura”.
No final da história, Brooks preferia se matar do que viver como um estranho no mundo de fora. Para ele, a prisão era o seu lar e referência. Um de seus companheiros de cela disse que Brooks era um homem importante, uma pessoa estudada. Era o bibliotecário da detenção. Fora da cadeia ele não era nada. A repentina separação de seu ambiente e de seus amigos levou-o a questionar sua própria identidade. Depois de tanta angústia, por fim, resolveu suicidar-se.
Lamento contar o fim do filme, mas é um exemplo de milhões de pessoas que hoje se sentem como Brooks Hatlan. Vivemos num mundo de alta velocidade, cheio de tecnologia e não há tempo para nada, de dia ou de noite. Com todo esse avanço que permite estar em contato imediato com qualquer pessoa no mundo, as pessoas estão cada vez mais isoladas. Muitos estão sem referência e não sabem a quem pertencem. É triste notar que, segundo as estatísticas, jovens entre 15 e 24 anos de idade são os que mais cometem suicídio no Reino Unido e Europa de maneira geral. Será que a Igreja tem algo a oferecer? “SIM” é o que todas diriam. Por alguma razão, entretanto, essa faixa de idade é a que menos se encontra na maioria das igrejas aqui e elas estão em declínio. Essa é a situação da igreja no Brasil? Creio que não, mas serve de alerta.
Jesus mandou fazer discípulos. Mandou que eles fossem batizados em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo – A Trindade, relacionamento. As três Pessoas distintas e divinas relacionam-se entre si. Se Deus é, então, comunidade, e sendo nós sua imagem, nossa identidade humana não existirá se vivermos isolados em relação a outras pessoas e também a Deus: família, igreja, amigos e comunidade. Solidão, portanto, não estava nos planos de Deus quando nos criou. Existe em nós a necessidade de comunicação, amor e interdependência.
Se pessoas são imagem e semelhança do Deus triúno e carregam em si o anseio de pertencerem-se e relacionarem-se, por que elas não estão na Igreja? Igrejas na Escócia estão passando pelo que eles chamam de amalgamento – isso nada mais é do que igrejas que vão esvaziando e ficam tão pequenas e sem recursos que são obrigadas a venderem o prédio; seus pouquíssimos membros restantes são transferidos para a Igreja mais próxima. Alguma coisa deve estar errada mesmo. Os campos estão brancos para a colheita, mas parece que alguns cristãos estão trancados dentro de quatro paredes.
Os discípulos devem fazer mais discípulos. Entretanto, a palavra ethnos, que normalmente se traduz como “nação”, seria melhor traduzida como “grupo étnico” ou mesmo “tribo”. Em outras palavras, isso define pessoas por sua língua, costumes, crenças, valores morais e cultura, e não a sua localização geográfica ou país de origem. Hoje a tarefa continua a mesma: começar por onde as pessoas estão; engajar-se nas comunidades; abranger a todos. Em resumo, falar o seu idioma.
Isso tudo me leva a pensar que Mateus 28 é mesmo um desafio para a Igreja. Aqui na Escócia dizem que as pessoas querem se aproximar de Deus, mas não da Igreja. Reclamam que a igreja está muito presa ao passado; não vêem relevância nela. O nosso desafio não é tornar a Igreja mais ou menos relevante, mas falar, da Palavra de Deus, as verdades eternas que Deus tem para todo ser humano. Muitos líderes cristãos comprometidos com a Palavra têm se levantado e portas têm sido abertas nas Universidades, Cafés, Livrarias e até em Pubs aqui na Escócia. Muitas igrejas não estão acompanhando a estatística tão pessimista e vão além das suas próprias paredes, pregando a Palavra de Deus.
Minha pergunta é: no Brasil, estamos vivendo no conforto dos números ou dispostos a obedecer ao Mestre? O que é mais importante?
Oremos pela Igreja de Cristo neste mundo. Oremos pelo crescimento do Reino de Deus e pela transformação de pessoas. Não somente na Escócia e Europa, mas pelo Brasil também.
“Andai enquanto tendes a luz…” (João 12.35)
