Minhas Impressões da Assembléia Geral da Igreja da Escócia
Dos dias 20 a 27 de maio estive presente na Assembléia Geral da Igreja da Escócia realizada em Edimburgo. Fui representando meu atual presbitério, Greenock-Paisley. Foi uma experiência muito boa e interessante. A organização, objetividade e seriedade na estrutura e ordem das coisas nem se compara com as 4 ou 5 reuniões do Supremo Concílio que já participei no Brasil (inclusive o respeito entre as pessoas aqui é algo marcante). Onde a reunião deixou a desejar mesmo foi no que é fundamental: a Bíblia. A Igreja da Escócia é uma instituição poderosa. É uma igreja focada em questões sociais, políticas, economicas, éticas, crise mundial, paz, etc. Essas questões são importante e relevantes. É essencial que a igreja se expresse e, não só se posicione, como também trabalhe nos vários setores da sociedade e lute pelo Reino e a Igreja da Escócia tem feito isso muito bem. Infelizmente essa ênfase foi o que predominou na reunião. Sábado, dia 23, foi o ponto mais grave da reunião na minha visão. O recurso dos 12 membros do presbitério de Aberdeen, que se manifestaram contrários à posse de um pastor que declarou-se homossexual e que vive na prática do homossexualismo, vivendo com um outro homem, não passou com uma diferença aproximada de 60 votos. Isso significa que ele vai assumir a igreja. Eu e mais um grande número de conciliares registramos voto de dissentimento. Isso aconteceu no Sábado à noite. Na segunda feira, houve uma nova resolução. Uma comissão especial foi formada para pesquisar, tratar do assunto e trazer um relatório para a Assembléia Geral de 2011 e assim apresentar uma proposta final sobre a questão do homossexualismo na Igreja da Escócia. Tanto presbitérios como conselhos serão consultados. Durante esses 2 anos não poderá haver nenhum processo de ordenação, induction ou candidatura de gays. Não foi o ideal, mas pelo menos trancou a possibilidade de precedente e nos dá condição para mobilizar melhor. Com tudo isso vi que a membresia da Igreja da Escocia, mesmo entre os liberais, reagiu negativamente à resolução de sábado e isso trouxe um ar de preocupação na liderança. Depois de sábado o desânimo tomou conta a ponto de desanimarmos, mas a resolução de segunda trouxe mais esperança. Mesmo assim, chegamos a questionar a continuidade do nosso ministério aqui, mas depois de muito refletir, entendemos que Deus continua nos querendo na Escócia.
Nesse ínterim recebi um convite para pastorear uma igreja no Brasil em 2010. Entretanto, tenho convicção de que Deus nos deu a bênção de estarmos trabalhando aqui na Escócia. É uma oportunidade grandiosa poder pregar o evangelho todos os domingos num lugar onde a Palavra já foi esquecida por quase todos. Por isso nosso trabalho aqui é missionário – infelizmente há pessoas que entendem trabalho missionário dentro de um contexto só, formando um esteriótipo único na cabeça do povo de Deus. Aqui na Escócia, para pregar o evangelho precisa fazer parte da estrutura da Igreja; somente assim é possível ter acesso ao púlpito, presbitério, Assembléia Geral, escolas, azilos, hospitais, etc… Tendo conquistado tudo isso, para a glória de Deus, sinto que há muito o que fazer nesta nação. Há pessoas que há décadas são membros de igreja e somente agora estão recebendo assistência pastoral com visita, leitura de Bíblia e oração. Por isso, por causa da missão que Deus nos deu, não existe plano imediato para voltarmos ao Brasil. Grande abraço a todos. Continuem orando por nós.
Notícias da Escócia
Essa semana pode se transformar num marco histórico na vida da Igreja da Escócia e certamente mais um capítulo na história do cristianismo contemporâneo. A partir de quinta-feira inicia-se mais uma Assembléia Geral da Igreja da Escócia. Este é o concílio maior da denominação que reúne-se todo ano para aprovar a escolha do seu novo moderador, legislar e tomar decisões de nível nacional. Representantes de todos os Presbitérios dentro da Escócia e fora dela estarão presentes, além de representações provenientes de outros países, representantes do governo e da Rainha.
O que faz dessa Assembléia um momento histórico é o tema homossexualismo trazido novamente ao plenário de discussões daquele supremo concílio. Dessa vez a Igreja da Escócia se vê diante de uma decisão que pode agradar somente gregos ou somente troianos. Eu não tenho absoluta certeza se vai haver algum acordo ou meio termo que possa conciliar os dois lados. De um lado aqueles que sustentam que um ministro, um pastor de igreja, pode manter relações homossexuais; e de outro, os que são contrários a isso. Para esquentar, ambos os lados têm feito campanhas e procurado agregar apoio (principalmente dos representantes dos presbitérios, que são os que têm poder de voto); além disso, a mídia está encima, um prato cheio, falar de uma igreja de mais de 500 anos que se debate para manter sua identidade no mundo das idéias politicamente corretas, no mundo da tolerância e da inclusão absoluta. Qualquer decisão que a Assembléia Geral tomar no próximo sábado, algo de novo poderá acontecer na metade de cima do Reino Unido. A Igreja pode dividir ou poderá ser tida pelo mundo como retrógrada e obscura. É possível também que um pequeno grupo saia sem abalar tanto as estruturas e afetar a vida de pessoas, congregações e igrejas. Deus sabe o que vai acontecer e a vontade dele será feita.
É bom que se diga também que esta controvérsia não é necessariamente entre cristãos liberais e ortodoxos, pois nem todo liberal é a favor da prática do homossexualismo por parte dos membros e liderança da igreja. No entanto, esta não deixa de ser uma grande oportunidade que o Senhor nos apresenta para que haja uma definição do que é igreja e do que está em jogo o ser a igreja de Jesus Cristo. Nossa oração é que aqueles que são fiéis ao Senhor e sua Palavra e que estarão naquele plenário, representando nao apenas seus presbitérios e congregações, mas o povo de Deus espalhado em todo o mundo, possam estar sensíveis à oportunidade de reformar, de fato, uma Igreja que tanto serviu a Deus e às nações no passado.
O que anda acontecendo por aqui
LEITURA Comecei a ler o livro, Finally Alive, de John Piper, recentemente lançado pela editora Christian Focus. Contém 203 páginas, com 5 capítulos, e indexes de referências bíblicas, assuntos e nomes. É um livro que aborda o tema “Novo Nascimento” e o real significado deste termo para hoje, uma vez que tanto aqui na Europa, principalmente no Reino Unido, como na América do Norte “novo nascimento” acabou tornando-se um cliché, ou seja, um termo sem sentido ou um termo intramurus, que só os evangélicos conseguem identificar. É um livro muito bem recomendado por figurões como D.A.Carson, o escocês Iain Murray e J.I.Packer, entre outros norte-americanos, britânicos e canadenses. O ponto em questão é: o que é realmente uma pessoa renascida? O que de fato a regeneração faz com a pessoa? Será que todos os que se apresentam como cristãos são de fato renascidos? Apresento frutos de alguém que nasceu de novo? Como pastor e vivendo numa sociedade totalmente secularizada e pós moderna, espero encontrar nesse livro uma ajuda para abordar o assunto e falar à minha congregação.
OPORTUNIDADE I Nesta semana houve um culto especial quarta-feira com as crianças de 5 anos da Heriot Primary School, escola em que atuo como capelão. Cerca de 50 crianças apareceram na igreja com seus pais e professores para ouvirem sobre o batismo. Foi um desafio grande falar com eles, mas nossa oração é que a semente plantada germine para a glória de Deus. Essa foi uma oportunidade de fato de Deus, pois com a educação extremamente secularizada na Grã-Bretanha onde tolera-se todas as religiões e seitas, menos o cristianismo, por mais irônico que isso possa parecer, essa escola tem trazido as crianças na igreja para aprenderem a importância da mesma e do sacramento do batismo. Oro para que essa geração mude a história e o futuro pessimista deste país.
OPORTUNIDADE II Hoje foi o culto dirigido pelos jovens da Igreja. Foi um plano meu, apresentado ao Conselho e aprovado. Não foi fácil recrutar aqueles jovens. Diferente da minha experiência no Brasil, não precisava pedir 2 vezes para que os jovens me ajudassem no culto. Aqui eu não sei o que acontece… ou sei… enfim, tudo funcionou. Em vez de órgão tivemos teclado e guitarra. O Coral ficou com 5 jovens a mais; os jovens leram os textos bíblicos e o Samuel fez o Children’s Talk, que é uma mensagem específica para as crianças (e claro os adultos aproveitam) dentro do culto. Samuel chamou as crianças e sentou com elas no fundo da igreja no corredor e falou sobre a passagem bíblica em que Jesus lavou os pés dos discípulos, dizendo que não existem pessoas “importantes” na igreja e não existem lugares mais nobres no reino de Deus, pelo contrário, Jesus lavando os pés dos discípulos mostrou que o maior serve e que dos pequenos é o Reino de Deus e que para chegarmos lá Deus torna qualquer grandão crianças de novo. Além disso hoje foi dia das mães. Oramos pelas mães, as crianças distribuíram flores e um arranjo especial de flor para a mãe mais nova (Audrey, 35 anos e Nancy, 94 anos). A mensagem do culto faz parte de uma série que tenho pregado na carta aos Efésios. Hoje foi o capítulo 2, o tema foi “Salvos pela Graça” em que abordei a questão de vida espiritual, morte espiritual e salvação pela graça somente. Por favor, ore por tudo isso. A resposta da igreja pareceu muito positiva com o “novo” culto realizado.
NOVOS CONTATOS Abri uma nova página no orkut chamada “Ore pela Escócia”. Se você quiser ser meu contato, acesse: http://www.orkut.com/Main#Profile.aspx?uid=14045575223138135226′
Aproveitando a onda, abri uma comunidade no orkut chamada “Cristianismo na Escócia”:
http://www.orkut.com/Main#Community.aspx?cmm=56141188
GRANDE ABRAÇO!
Uma Nova Reunião de Oração
Quando chegamos na Igreja de Foxbar 6 meses atrás uma das questões que de imediato nos fez pensar em mudanças foi com respeito a reuniões de oração. Por estar a mais de quatro anos sem pastor, a igreja manteve uma reunião de oração dominical, 10hs30min, meia hora antes do culto. Mais nenhuma outra reunião. Atualmente a freqüência nessa reunião tem sido de duas pessoas. Eu mesmo não posso estar por causa das preparações que antecedem ao culto. Ao mesmo tempo, alguns pequenos problemas envolvendo o dia a dia da igreja e a minha conclusão foi de que sem oração não adianta sequer fazer o trabalho pastoral mais básico, qualquer que seja a Igreja.
Decidi que a primeira coisa que teríamos que fazer era instituir uma outra reunião de oração além dessa do domingo. Organisei o projeto e passei pelo Conselho que aprovou em caráter de experiência. O plano é o de realizar uma reunião de oração todos os últimos domingos de cada mês às 19 horas. Antes da primeira reunião nos alertaram que a freqüência seria baixa. Dia 22 de fevereiro tivemos a primeira: 20 pessoas – uma surpresa muito boa, mas estamos cientes de que este pode não ser um número constante. A reação do povo foi positiva e agora estamos orando pelas próximas e nos preparando. Oramos pelas pessoas do bairro, cidade, país e mundo e para que o Senhor abra mais oportunidades de testemunharmos o Evangelho de Cristo e para que vidas sejam transformadas.
Esperamos no Senhor mais oportunidades de encontros de oração. É um trabalho lento, mas importante para a vida da Igreja. Lembre-se de orar pela igreja St Columba.
Notícias do Campo
O trabalho na Igreja St. Columba está caminhando bem até aqui, graças a Deus. Nossa preocupação era a de não se adaptar numa nova cidade, cuja cultura, sotaque e tradição é bem diferente de Dundee, onde moramos por 15 meses. Ainda mais agora que perdemos o vínculo oficial no Brasil. Mas acredito que com o passar do tempo vamos nos sentindo cada vez mais em casa. Confio também que o Senhor que nos trouxe para este lugar jamais nos desamparará.
A cidade de Paisley onde moramos e trabalhamos é uma pequena cidade com um histórico de violência muito grande. Hoje não é mais assim, mas a fama sempre fica. É uma cidade que tem muito comércio, muitas escolas, colleges e uma universidade, mas luta contra a decadência principalmente diante da crise atual. É uma cidade em que predomina idosos, aposentados, muita pobreza e por isso a qualidade dos meios de transportes, trânsito e manutenção de prédios e ruas não são muito boas. Não estivesse a cidade de Glasgow, a maior da Escócia, encostada em Paisley, acredito que a situação estaria pior.
No bairro em que se encontra a igreja há muitos aposentados, idosos que moram sozinhos em casa do governo, uma escola secundária e duas primárias. Apesar de pobre, é um bairro bem cuidado e limpo. Tenho tido muito contato e oportunidade de encontrar pessoas que não pertencem à igreja. Tanto nas escolas, como no azilo e quando há um funeral buscam o ministro da Igreja Presbiteriana. A única protestante do bairro. Por isso, as oportunidades de pregar a Palavra aqui são muitas. E estamos aqui exatamente para isso, pregar a Palavra de Deus. Não houve outra motivação que nos fizesse sair do nosso país, deixar família, empregos, cultura, casa, a não ser a de servir ao Senhor como pastor dessas milhares de pessoas que nos foram confiadas. Peço que ore por nós e por essas pessoas.
O Samuel foi aceito na Universidade e vai fazer Teologia com especialização em missões transculturais no ICC (International Christian College) que fica em Glasgow e tem convênio com a Universidade de Aberdeen. Graças a Deus esta porta foi aberta, num lugar em que predomina o liberalismo teológico, o Samuel encontrou um curso de alto nível acadêmico e realmente cristão. Creio que outro curso reconhecidamente cristão é o Highland Theological que tem convênio com o Reformed dos Estados Unidos. Além disso trabalha como voluntário em instituições cristãs que ajudam pessoas carentes, moradores de rua e crianças de lares problemáticos em Glasgow. Trabalha também um dia por semana com uma intituição cristã em uma escola secundária também em Glasgow.
Alguns projetos foram aprovados na Session (conselho) da Igreja: (1) Criação de uma reunião de oração uma vez por mês; (2) Cultos em conjunto com a igreja em Glenburn e Lylesland, de bairros vizinhos cujos pastores pregam a Bíblia; (3) Culto espeical no dia das mães em Março, dirigido pelos jovens; (4) Semana de oração, na semana que antecede a páscoa em Abril. Atividades tão comuns nas igrejas brasileiras, mas aqui sempre raras. Por isso nossa alegria em compartilhá-las.
Ore para que esses trabalhos sejam uma bênção na vida das pessoas e assim possamos trazer novas idéias no futuro.
No mais estamos bem, e ainda nos adaptando.
Abraços…
Reasons to Pray
Euro Parliament calls for
abortion and gay marriage
Thursday, 15 January 2009
The European Parliament has passed a resolution which calls for abortion rights and ‘gay marriage’ to be promoted throughout the EU.
The resolution was proposed by Italian Communist MEP, Giusto Catania. It also calls for critics of homosexuality to be silenced.
It was agreed to by 401 votes to 220 with 67 abstentions. A European Parliament resolution is not legally binding but expresses the institutional position of the parliament.
Resolutions are sometimes called ‘soft law’ because they are used in other international documents or judicial proceedings and can build pressure for creating binding laws.
The resolution is based on the Charter of Fundamental Rights, part of the Lisbon treaty, despite the fact that neither the charter nor the Lisbon treaty have been passed into law.
Although much of it deals with xenophobia, and the rights of children and refugees, it also demanded the promotion of reproductive rights – a euphemism for abortion.
It stresses “the need to raise public awareness of the right to reproductive and sexual health, and calls on the member states to ensure that women can fully enjoy these rights, to put in place appropriate sex education, information and confidential advisory services, and to facilitate access to contraception in order to prevent all unwanted pregnancies and illegal and high-risk abortions”.
Amendments seeking to protect an unborn child’s right to life were rejected.
The resolution also calls on all EU member states to recognise same-sex civil partnerships equally with heterosexual marriage and calls for critics to be silenced.
The resolution says the European Parliament “Takes the view that discriminatory comments against homosexuals by social and political leaders fuel hatred and violence, and calls on the relevant governing bodies to condemn them.”
Christian legal group, the Alliance Defense Fund, has raised serious concerns about the resolution. ADF Legal Counsel Roger Kiska, said it “would undermine the right to life, damage the institution of the family, and curtail freedom of expression.
“It does these things in violation of treaty law and member state autonomy. The parliament should not allow itself to be used as a vehicle to further spread a damaging social agenda outside of its scope.”
Anthony Ozimic, the political secretary of the Society for the Protection of Unborn Children, said: “The resolution violates national laws on conscientious objection to abortion and on public funding for abortion.
“The resolution calls for the recognition of a so-called right to abortion – yet not one international treaty or human rights court has recognised any such right.”
He added: “Religious leaders and pro-life groups throughout Europe must shake off their complacency about the EU and mobilise religious believers for pro-life action.
“The message everyone must hear is that the right to life is the most important political issue, because the right to life is the indispensable foundation of all other rights.
“Failure to act will mean that countless millions of unborn children will die because of the EU’s promotion of abortion both inside and outside Europe.”
Source: www.christian.org.uk
18 MESES DE MISSÃO
Na última sexta-feira completamos 1 ano e meio que deixamos nosso país para iniciar um trabalho missionário e pastoral aqui na Escócia. Foram 18 meses de lutas e desafios, mas graças a Deus nenhuma decepção – não neste país. Hoje estamos muito mais adaptados e melhor ajustados. Contrário do que muitos imaginam, passamos por desafios e barreiras muito grandes; o custo dessa mudança em nossas vidas foi muito alto, mas vencemos e temos vencido com uma força que só mesmo o Senhor Deus poderia nos dar. Houve situações que pensamos que não conseguríamos enfrentar, mas entendemos que quando o chamado vem de Deus o fraco ganha forças e é capaz de destruir o pior inimigo se assim for o plano de Deus. Por isso continuo acreditando que o Senhor não nos chamou apenas para ficarmos aqueles 15 meses iniciais; não, ele tinha algo preparado, uma obra a ser realizada por um longo tempo. A missão continua: pregar a Palavra de Deus, evangelizar, pastorear, enfim, a mesma tarefa desde o primeiro dia, 29 de maio de 2007, até hoje e até quando o Senhor permitir. Nada mudou, a não ser detalhes legais, que a meu ver não deveriam afetar a importância histórica e missionária do trabalho. Lamentavelmente, para alguns tais detalhes foram mais importantes. Contudo, apesar de vermos que as cordas foram soltas, estamos guardados pelo Senhor e a missão continua para a glória dele.
Nesses 18 meses fizemos muitos amigos. Conhecemos pessoas verdadeiramente comprometidas com o Evangelho e com a Igreja de Cristo. Mesmo tendo saído de Dundee há 3 meses, estamos recebendo visitas de muitos irmãos da Steeple Church para o culto em nossa igreja e posteriormente almoço aqui em casa.
Estamos muito animados na Igreja em que estamos servindo nesses 3 meses. Felizes principalmente com as oportunidades que temos tido para pregar o evangelho tanto na Igreja como na comunidade. Tenho participado das reuniões mensais do presbitério daqui, conhecido muitos colegas, principalmente dois pastores, Graham e Alistair. Temos visões muito parecidas, como por exemplo, a necessidade de Cristo para a remissão de pecados e conversão; a salvação pela graça somente e a autoridade da Bíblia como regra infalível de fé e prática. Nossas igrejas são próximas e nos encontramos uma vez por mês para oração e suporte mútuo.
Lia está bem, estudando inglês e muito feliz por que a mãe dela está passando um tempo aqui conosco. Samuel está bem e envolvido com trabalhos voluntários em algumas igrejas em Glasgow e se preparando para o ano que vem ingressar no ICC (International Christian College), um curso de Teologia reconhecido como Universidade e também com uma direção cristã comprometida com a Palavra de Deus.
A todos que têm orado por nós e têm nos apoiado desde o início, nossa gratidão. Queremos que vocês saibam que o Senhor Deus tem respondido às suas orações e tem sido fiel às suas promessas e somente nelas é que estamos amparados.
O Presbiterianismo Escocês
Quando eu estava no Brasil eu procurava sempre defender a chamada “identidade presbiteriana”. Mas confesso que, vivendo agora na Escócia, essa expressão não tem mais muito sentido para mim. Não estou dizendo que me arrependo de defender a identidade da minha igreja, pelo contrário, entendo que nossas origens devem de fato ser preservadas e mantidas. Mas o problema é justamente a respeito dessas origens. Quando procurava manter o nome e a história por tras da minha denominação, era por zelo e contra a enxurrada de novidades que assaltavam a igreja e queriam mudar o rumo das coisas. O problema é que eu não sabia que identidade era essa. Eu pensava que estava sendo fiel ao sistema eclesiástico dos dois João (Calvino e Knox). Mas quando cheguei aqui e comecei a ver e estudar sobre a igreja knoxiana, ao ver como ela fora concebida originalmente (século XVI), cheguei à conclusão de que o presbiterianismo que saiu da Escócia e foi para o Brasil sofreu algumas alterações no meio do caminho de forma que, quando eu falava de manter identidade era por ignorância e desconhecimento da história.
Exemplo dessa mutação é quanto ao diaconato. O diácono na Igreja da Escócia vem seguindo o mesmo princípio ensinado por João Calvino e Knox ao longo dos séculos, na verdade com pequenas alterações. Diácono aqui é um ministro. O pastor ou reverendo, recebe aqui o ofício de ministro da Palavra e dos sacramentos, enquanto que o diácono o de ministro do socorro, ação social e assistência. Para ser diácono na Igreja de John Knox é preciso estudar teologia e participar do treinamento da denominação, juntamente com os candidatos a pastor. Depois de devidamente formado e treinado, o diácono pode ser enviado para qualquer canto do país ou fora dele. Conheci uma diaconisa que serviu na India e agora está aposentada. Isso mesmo, o diácono é empregado pela Igreja da Escócia da mesma forma como o pastor. O trabalho diaconal envolve também hospitais, azilos, casas de recuperação, escolas, etc. O diácono não fica, necessariamente, na igreja em que é membro. Ele pode ser de grande ajuda nas igrejas em que há muitas pessoas para serem visitadas entre membros e paroquianos. O que conheço do presbiterianismo brasileiro mostra um sistema bastante diferente do original em relação à diaconia.
Hoje eu sei que há muito o que aprender com a igreja brasileira, mas também existe muito o que se resgatar da Igreja mãe, se de fato queremos manter a identidade. Não se trata de manter a identidade simplesmente por tradição. O sistema presbiteriano legítimo tem, em termos de diaconia, prestado um grande serviço no reino de Deus em todos os lugares em que hajam diáconos comprometidos de fato com Cristo e com as Escrituras. Alguém que faça lembrar de dois grandes servidores, Felipe e Estevão, conforme mostra o Livro dos Atos dos Apóstolos, cuidavam do povo e pregavam o Evangelho; pessoas cheias de fé e do Espírito Santo.